ENTENDENDO A IGREJA | REINO, CULTURA, ESTRUTURA E IGREJA

Há muitas confusões que giram em torno do conceito do que é a Igreja. E nesta série “Entendendo a Igreja” eu quero tentar esclarecer de uma forma simples os enganos que permeiam este conceito e expor a imensa beleza da Igreja de Cristo.

No primeiro momento distinguirei de forma cuidadosa quatro realidades – Reino, cultura, estrutura e Igreja – para separarmos bem os assuntos e entender o que a Igreja não é.

REINO

A Igreja é o reino de Deus?  Qual a diferença entre a Igreja e o Reino?

Jesus nos anunciou o Reino, e este Reino nos aponta para algo maior do que nós mesmos, maior do que nossas próprias estruturas.

O Reino de Deus foi exposto na pessoa de Cristo, e diversas vezes anunciado através de parábolas sobre como acessaríamos este reino e como ele se manifestaria.

Mas antes de qualquer coisa, podemos facilmente definir que para que um reino exista, deve existir um rei. E se existe um rei, deve haver pessoas neste reino. Não é atoa que Jesus ensina na oração do PAI NOSSO a clamarmos: “Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade”. Logo podemos concluir que há um convite para adentrarmos neste Reino, e este Reino deve se manifestar sendo feita a vontade de Deus (do Rei) em nós.

Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós.

Lucas 17:20-21

Hoje Deus governa através da presença do Espírito Santo. Nas diversas menções no novo testamento podemos perceber que este Reino nos trás orientações de vida, comportamento, de justiça e igualdade, humildade e um impulsionamento para servir.

Hoje nós anunciamos a mensagem do Reino, não a mensagem da Igreja (“quando uma pessoa escuta a mensagem do Reino” – Mateus 13:19). Não somos herdeiros da “Igreja”, mas herdeiros do Reino (Romanos 8:17 ) e o Reino se recebe, a Igreja não (Marcos 10:15 – Com toda a certeza vos asseguro: aquele que não receber o reino de Deus como uma criança jamais terá acesso a ele.)

Ou seja, a IGREJA não é o REINO, apesar de ter a mensagem do Reino, sua revelação, e de só poder existir dentro do Reino. O Reino não pode ser limitado pelas fronteiras da Igreja, pois ele vai além.

Não é a Igreja que está reinando. O Reino é o reinar de Deus na vida dos cristãos. Ele se torna visível à medida que o cristão se entrega ao domínio de Deus.

Aqui, eu gostaria de elucidar duas parábolas em que Cristo utiliza a vinha como exemplo para sua mensagem.

Nestas parábolas vamos tomar o exemplo da vinha como o REINO, o proprietário como o REI DO REINO e o conjunto de trabalhadores como a IGREJA.

Na primeira, o dono da vinha acorda um salário com os trabalhadores da vinha em que cedo chegaram e depois acorda com os retardatários o mesmo valor (Mt 20:11-16). Percebam que o dono é apto para definir o que é justiça. O recurso vem dele, e ele distribui da forma que ele deseja, e acreditem, ele é verdadeiramente generoso. Também, de antemão ele acordou o salário com os trabalhadores, honrando seu acordo no fim do expediente.

Quero dizer aqui, que não é papel da igreja definir o que é justo e nem queixar da benevolência de seu Senhor definindo um novo salário. Isso é importante, pois, se a Igreja assumir o papel do Reino ela se torna sectarista, autoritária e usurpa um poder que não é dela. Já vimos muito isso na história da igreja e ainda vemos constantemente em nosso tempo.

Na segunda, os arrendatários de uma vinha se recusam a dar ao proprietário o vinho de sua própria vinha. Eles matam os servos que ele envia e finalmente ainda têm a audácia de matar seu único filho (Lc 20:9-16).

Assim, também não é a Igreja a dona dos frutos. Os frutos pertencem a Cristo, a obra é dEle. Não podemos como Igreja possuir o fruto, não podemos possuir o ministério, o envio, a obra, as pessoas. Tudo pertence a Cristo, e devemos ouvi-lo e entregar tudo o que Ele nos pede. Fazer como ele manda.

Claro, a parábola foi dita para os judeus, como Paulo fala em Romanos 3  àqueles a quem havia sido confiado as palavras de Deus. Porém, eles tentaram possuir o que não era deles e a consequência foi que o DONO da vinha destruiu os vinicultores, então, abriu vaga para novos trabalhadores, nós, a igreja. Ficando assim claro que não devemos possuir o fruto.

CULTURA

A cultura implica em tradições, costumes, valores e práticas de um determinado grupo de cristãos.

Se você sair do Brasil para uma missão em um determinado país da Ásia, você vai perceber que os cristãos daquele lugar terão práticas e padrões diferentes.

Então, o povo do Reino deve ter suas próprias práticas culturais, baseadas nos valores do reino, mas isso não os impede de viver a cultura local, desde que os valores do Reino coordenem sua vida. Porém muitas vezes os valores do Reino podem divergir, isto é, ir contra a cultura local.

ESTRUTURA

É certo que o povo de Deus carece de veículos sociais. E é aí que entra a estrutura. Que nada mais é do que um meio para atender às suas próprias necessidades e às necessidades dos outros.

Ou seja, a estrutura não é a Igreja. Ela é uma serva da Igreja que trabalha para cumprir a missão da mesma.

O assunto pode ficar mais delicado, quando olhamos ao nosso redor e percebemos que as igrejas têm servido às suas estruturas e não o contrário. Percebemos que a estrutura e a igreja se fundiram ao ponto da grande maioria de pessoas chamarem a estrutura de igreja.

Mas, quais seriam os exemplos de estruturas servas?

Há diversos exemplos, e dificilmente conseguiremos enumerar todos, pois eles podem mudar de acordo com a cultura. Por exemplo, no Brasil um galpão/templo com equipamentos de som no meio da cidade pode ser uma estrutura serva da comunidade. No entanto, há relatos de pessoas que arriscaram sua vida para anunciar o Evangelho na União Soviética, de que cristãos se reuniam as escuras na casa de algum um irmão em Cristo. Neste caso, a estrutura que colaborava era uma casa com as luzes apagadas e sem nenhum equipamento de som ou instrumentos.

Escolas para ensino, bases missionárias, redes sociais, blogs ou o próprio Youtube, clubes de leitura, tudo isso são ou podem ser estruturas servas para a Igreja realizar o seu trabalho, desde que a missão não inverta.

Mas a estrutura não é a Igreja nem o Reino.

IGREJA

Já vimos então que a Igreja não é o Reino, a cultura e nem a estrutura.

E o contrário do que algumas pessoas falam a igreja não é um indivíduo – “eu sou a igreja” – ela é a assembleia de pessoas que adentraram ao reinado de Deus. Ela é o corpo de Cristo composto de discípulos que estão seguindo o caminho de Jesus.

É uma comunidade de cristãos, de cidadãos do Reino. O Reino se torna visível à medida que o cristão se entrega ao domínio de Deus e a Igreja se torna visível na comunidade que vive pelos valores do Reino.

Pois bem, a Igreja não é um edifício, um santuário ou um programa. Nós não nos reunimos na igreja, a Igreja é que se reúne em algum lugar.

CONSIDERAÇÕES DO AUTOR

Por enquanto ficarei por aqui no que se trata dos atributos da Igreja.

Espero ter ficado claro a distinção entre esses quatro pontos, pois é determinante a separação deles, e na continuação da série ENTENDENDO A IGREJA falarei mais sobre a beleza e a atuação dessa maravilhosa instituição.

Deixe um comentário e tenha a liberdade de compartilhar algo que queira acrescentar em relação ao assunto ou qualquer dúvida que você tenha.

RAFAEL LIMA

Apaixonado por Jesus. Sou missionário e empreendedor. Pai de uma menina maravilhosa e casado com a melhor esposa do mundo. Amo imergir em culturas diferentes e amo ensinar sobre Jesus e sua palavra.

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