QUEM FOI JOHN WESLEY?

John Wesley (1703-1791)

Para anunciar a Jesus, John Wesley cavalgou mais de 400 mil km, doou mais de 30.000 libras e pregou mais de 40.000 sermões. (segundo, Stephen Tomkins em John Wesley: A Biography).

É sobre ele que vamos estudar agora, um homem que incorporou muitos conflitos de sua época e os fundiu em uma vida de realizações notáveis.

    por Rafael Lima

    CONTEXTO

    Nasceu em Epworth, filho de Samuel e Susanna Wesley, e viveu no século XVIII, tempos que antecedeu a revolução industrial e que tinha condições bastante insatisfatórias. O sistema social tradicional não era amplo o suficiente para comportar uma sociedade em contínuo crescimento. A agropecuária, artesões e comerciantes não conseguiam absorver toda mão de obra. A quantidade de pessoas à margem do sistema paternalista de tutela governamental cresceu numerosamente; A maior parte das pessoas vivia miseravelmente, das migalhas que caiam da mesa de grupos privilegiados.

    O número de orfandade e crianças de ruas eram assustadores, crianças que perderam parentes no exército ou na marinha de Sua Majestade; ou simplesmente foram abandonadas por situação de pobreza extrema.

    Sim, o contexto era assustador e a igreja necessitava se posicionar diante de tudo isso.

    HISTÓRIA

    Aos cinco anos de idade, houve um incêndio em sua casa. Já era tarde, todos dormiam, quando o incêndio iniciou. Vizinhos desesperadamente gritavam, porém apenas quando parte da casa começou a cair, que a família do pastor Samuel Wesley despertou e começou a evacuar. John Wesley ficou preso no segundo andar, e a família impossibilitada pelas chamas de chegar até ele, juntou-se toda no jardim e começou a orar.

    Foi nesse momento que John Wesley subiu em uma mala que estava em frente a uma janela, e logo, um vizinho o viu. No momento onde não aparentavam haver mais esperança, sem tempo para encontrar uma escada, alguns vizinhos fizeram uma escada humana até alcançá-lo, instantes antes da ruína completa da casa.

    Seu improvável resgate foi rapidamente declarado um milagre.

    “Eu não pude acreditar” escreveu seu pai uma semana depois do incêndio, “até que o beijei duas ou três vezes”.

    Embora tenham perdido quase todos os bens, todos foram salvos. Mais tarde John Wesley relatou a lembrança de seu pai no jardim, enquanto o fogo terminava de consumir a casa, dizendo: “Venham, vizinhos! Vamos nos ajoelhar! Vamos dar graças a Deus! Ele me deu todos os meus filhos, deixe a casa ir, eu sou rico o suficiente.”

    Sua mãe, Susanna, às vezes se referia a seu Jacky (apelido de John Wesley) como “a brasa tirada do fogo” (referência a Zacarias 3:2) crendo que ele foi preservado para uma tarefa especial.

    Ainda aos cinco anos de idade, Susanna começou a alfabetizá-lo utilizando o livro de Salmos como apostila. Jacky estudou com sua mãe até os onze anos, quando então entrou para Charterhouse, em Londres, e ficou por seis anos. Mais tarde, em 1720 foi para Christ Church College, em Oxford. Recebendo seu diploma de bacharel em 1724, ele foi ordenado diácono na Igreja Anglicana (Igreja da Inglaterra) em 1725 e foi eleito membro do Lincoln College, Oxford, em 1726. No ano seguinte se tornou cooperador de seu pai e em 1728 foi ordenado sacerdote. Retornando a Oxford em 1729.

    Em Oxford, John Wesley e vários amigos formaram um “Clube Santo” no qual seu irmão mais novo Charles Wesley e o pastor George Whitefield também faziam parte. Eles fizeram um acordo um com outro para viver uma vida cristã disciplinada. Esse clube ficou conhecido como “Associação Metodista” devido à forma metódica de estudo.

    Seus membros oravam, dedicavam ao estudo sério da bíblia, cultuavam, visitavam prisioneiros e faziam doações aos necessitados. Este clube foi uma das influências formadoras de Wesley, e ele logo se tornou seu líder reconhecido.

    A CRISE E OS MORÁVIOS

    Em 1735, o General James Oglethorpe convidou John Wesley para vir para a Geórgia como capelão da colônia. Wesley navegou para a Geórgia junto com seu irmão Charles, que serviria como secretário particular de Oglethorpe.

    Durante a viagem, o navio foi atingido por uma terrível tempestade. John estava com medo. Ele orou com os passageiros ingleses, um dos quais lhe trouxe um bebê para batizar, caso eles estivessem prestes a morrer.

    Na tripulação havia um grupo de pessoas que começou a mexer com a alma de John. E durante a tempestade Wesley se ajuntou aos Irmãos Morávios em um momento de culto, quando uma enorme onda acometeu o navio e a água caiu nas cabines e quebrou o mastro principal.

    Enquanto os passageiros ingleses gritavam de terror, os morávios continuaram cantando – homens, mulheres e crianças aparentemente imperturbáveis.

    “Este foi o dia mais glorioso que eu já vi”, disse Wesley em seu diário.

    Após a tempestade, ele perguntou a um dos morávios se eles não estavam com medo. O qual respondeu nem mesmo as mulheres e crianças tiveram medo. Nenhum deles tinham medo de morrer. A convicção de que suas vidas estavam nas mãos de Deus e se morressem no mar, apenas passariam para as Mãos de seu glorioso Rei.

    Iniciou-se uma crise em John Wesley, pois ele sabia que os Morávios tinham algo que ele não tinha; uma certeza, uma confiança absoluta em Deus.

    GEORGIA

    Seu irmão Charles devido ao seu perfil teve sérios problemas com os colonos em Frederica e em menos de um ano após uma doença retornou para Inglaterra.

    John enfrentou seus próprios problemas. Ele também era às vezes impopular com os colonos, e um caso de amor desastroso com Sophy Hopkey só piorou sua situação. O contínuo contato com os Morávios o levou a questionar o estado de sua alma, e com dificuldade em realizar a missão aos índios americanos levou a escrever em seu diário: “Vim converter os índios, mas, ah, quem vai me converter?”

    Wesley pediu a um dos Morávios chamado Gottlieb Spangenberg um conselho sobre seu trabalho como pastor e missionário. Ele deixou um registro em seu diário da conversa:

    Spangenberg perguntou: “Meu irmão, devo primeiro fazer uma ou duas perguntas. Você tem o testemunho interior? O Espírito de Deus testifica com o seu espírito que você é um filho de Deus?”

    Wesley escreveu: “Fiquei surpreso e não sabia o que responder. Ele observou e perguntou: ‘Você conhece Jesus Cristo?’ Fiz uma pausa e disse: ‘Eu sei que ele é o Salvador do mundo.’ ‘Verdade’, respondeu ele; _ Mas você sabe que ele salvou você? _ Eu respondi, _ Espero que ele tenha morrido para me salvar. _ Ele apenas acrescentou: _ Você se conhece?

    CONVERSÃO

    John Wesley retornou para a Inglaterra em 2 de dezembro de 1737, desanimado e incerto sobre seu futuro. Mais tarde, ele disse que estava apenas “dando soco no ar” durante seu tempo na Geórgia.

    Mas, ao contrário do que ele pensava, o tempo não foi perdido. O questionamento gerado na Geórgia o levou a uma reunião na Aldersgate Street em maio de 1738, onde teve sua experiência de conversão.

     “À noite, fui muito contra a vontade a uma sociedade na Aldersgate Street, onde fazia a leitura do prefácio de Lutero à Epístola aos Romanos. Cerca de 20:45h, enquanto ele estava descrevendo a mudança que Deus opera no coração pela fé em Cristo, senti meu coração estranhamente aquecido. ”

    Imediatamente John compartilhou a boa notícia com Charles.

    Até a conversão John descreveu o que viveu como “uma bela religião de verão”. Havia sido ordenado. Pregou, ensinou, escreveu e até se dedicou ao trabalho missionário – tudo em vão. Ele não tinha Cristo. Até então, ele tinha vivido por boas obras, mas não pela fé.

    Ele já havia discutido a justificação pela fé com Peter Bohler, mas agora era diferente.

    Aos 34 anos de idade, ele finalmente nasceu de novo.

    “Senti que confiava em Cristo para a salvação; e uma garantia foi dada a mim de que ele havia tirado meus pecados, os meus pecados, e me salvou da lei do pecado e da morte.” (John Wesley Journal, 24 de maio de 1738, Vol. 1. p.103)

    AÍ TUDO COMEÇOU

    Depois disso, Wesley seguiu o exemplo de Whitefield e começou a pregar a justificação pela fé e o novo nascimento na Anglicana. E um por um, os líderes da igreja anglicana resistiram a ele. Logo foi proibido de pregar na maioria das igrejas de Londres.

    George Whitefield convidou John para ver o que estava acontecendo em Bristol, onde Whitefield estava pregando nos campos.

    Quando John foi a Bristol e viu o que Deus estava fazendo nestas pregações ao ar livre (algo radical para época), ele aceitou o convite de Whitefield para pregar no domingo seguinte.

    Agora, Wesley estava diante de pessoas simples que não eram bem-vindas nas igrejas locais.

    Sendo um ministro da Anglicana, John Wesley consultou o lecionário para descobrir o texto designado para o domingo que ele pregaria. E a lição para aquele domingo era o Sermão da Montanha. Wesley comentou: “Bem, há alguma precedência para esta pregação de campo. O próprio Jesus fez isso!”.

    Naquele domingo, Wesley pregou para 3.000 pessoas de um púlpito improvisado na colina. Eles eram pessoas pobres sem formação religiosa. Eles ouviram com alegria quando Wesley lhes falou sobre o amor de Deus e o poder transformador. E o avivamento começou!

    A PERSEGUIÇÃO

    Embora Wesley tenha programado sua pregação itinerante para não interromper os cultos anglicanos locais, ainda assim houve muita perseguição por parte da Igreja da Inglaterra. Diante disso, Wesley respondeu: “O mundo é minha paróquia” – uma frase que mais tarde se tornou um slogan dos missionários metodistas.

    (c) John Wesleys House & The Museum of Methodism; Supplied by The Public Catalogue Foundation

    A perseguição aumentou ainda mais quando ele colocou pregadores leigos, que não “tinham permissão” para servir a Comunhão.

    Frequentemente as reuniões eram interrompiam por pessoas que falavam mal e ameaçavam a vida de Wesley.

    Mas ele nunca diminuiu o ritmo, e durante seu ministério ele viajou mais de 6.000 km anualmente, pregando cerca de 40.000 sermões em sua vida.

    O METODISMO

    Cada vez mais o trabalho de Wesley gerava frutos, e os convertidos passaram a encontrar pela primeira vez em “sociedades” domésticas privadas. Quando essas sociedades se tornaram grandes demais para que os membros cuidassem uns dos outros, Wesley organizou “classes”, cada uma com 11 membros e um líder. Eles se reuniam semanalmente para orar, ler a Bíblia, discutir sua vida espiritual e arrecadar dinheiro para a caridade. E qualquer um poderia se tornar líder de classe.

    “Faça todo o bem que puder, por todos os meios que puder, de todas as maneiras que puder, em todos os lugares que puder, em todos os vezes você pode, para todas as pessoas que você pode, contanto que você pode. ” Esse fervor acompanhava a cada um.

    O movimentou cresceu rapidamente, assim como os perseguidores. De forma pejorativa os perseguidores o chamavam de “metodistas”, porém, este era um rótulo que eles ostentavam com orgulho.

    Na medida em que crescia o número de pessoas, Wesley então organizou tudo em uma “conexão”, e várias sociedades sob a liderança de um “superintendente”. Reuniões periódicas de clérigos metodistas e pregadores leigos eventualmente evoluíram para a “conferência anual”, onde aqueles que deveriam servir em cada circuito eram nomeados, geralmente para mandatos de três anos.

    REGISTROS ANTES DE SUA MORTE

    294 pregadores, 71.668 membros britânicos, 19 missionários (5 em estações missionárias) e 43.265 membros americanos com 198 pregadores. Esses eram o número dos Metodistas registrados por Wesley antes de sua morte.

    CONCLUSÃO

    Sob sua influência, a Inglaterra tornou-se, em todas as suas classes e por todo o país, uma nação totalmente cristã, tanto que os não-conformistas (movimento protestante que não conformavam com o governo e as práticas da Igreja Anglicana) cresceram de 6% de fiéis na juventude de Wesley para mais de 45% em 1851.

    Talvez a palavra final sobre este homem notável só possa ser proferida por aquele apóstolo em quem mais se inspirou. Paulo: “Somos apenas os vasos de barro que contêm este tesouro”, disse ele em 2 Coríntios 4: 7, “para provar que tal poder esmagador vem de Deus, não de nós. ”

    CONSIDERAÇÕES DO ALTOR

    Dessa vez não pude abordar muito sobre a teologia de Wesley, espero poder fazer isso em um próximo artigo.

    Todas as quintas feiras lançaremos em nosso blog um artigo da série #TBTHeróisdaFé, e na próxima semana compartilharei com vocês minha visita na casa, museu e na paróquia de John Wesley em Londres.

    RAFAEL LIMA

    Apaixonado por Jesus. Sou missionário e empreendedor. Pai de uma menina maravilhosa e casado com a melhor esposa do mundo. Amo imergir em culturas diferentes e amo ensinar sobre Jesus e sua palavra.

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