ENTENDENDO A IGREJA | QUATRO REQUISITOS BÁSICOS PARA A VIDA DE IGREJA

Após termos entendido bem a diferença entre Reino, cultura, estrutura e Igreja. Vamos dar continuidade em nossa série ENTENDENDO A IGREJA.

Veja aqui o primeiro texto da série Entendendo a Igreja | Reino, cultura, estrutura e Igreja

Abordamos que o Reino se torna visível à medida que o cristão se entrega ao domínio de Deus e a Igreja se torna visível na comunidade que vive pelos valores do Reino.

Para aprofundarmos mais, quero levantar com vocês os fundamentos que a Igreja Primitiva nos deixou de como devemos viver nossa vida de Igreja.

Para trabalharmos bem este assunto, gostaria de levantar uma situação hipotética com vocês.

Então vamos lá. Suponhamos que hoje você pregue para alguém e esta mensagem alcance essa pessoa ao ponto dela se enxergar como uma completa pecadora, que em nenhuma hipótese ela pode merecer o favor de Deus, se reconheça como o pior dos pecadores e como Paulo em Romanos, ela se volte para o mais íntimo do seu ser e com toda sua alma grite, “quem me libertará deste corpo de morte?”.

E não para por aí, Deus com sua misericórdia coloca fé para a salvação no coração desta pessoa, Cristo toma lugar de seus pecados e ela alcança a mensagem de Romanos 8: “agora não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.”

Agora você se vê diante de um neófito, uma pessoa novinha nos caminhos de Jesus.

Quais seriam os próximos passos dessa pessoa?

Agora que ela adentrou no Reino, como ela viverá a vida de Igreja? Como ela participará e se desenvolverá como um cristão? Como ela deixará de ser uma criança para alcançar a maturidade e a condição de uma pessoa parecida com Cristo?

ATOS 2

Para respondermos essas perguntas, utilizarei do capítulo 2 do livro de Atos.

O contexto deste capítulo é muito conhecido no meio cristão, trata-se do dia de Pentecostes e da realização da promessa do derramar do Espírito Santo.

Também conhecido como Festa das Semanas, uma vez que ela era contada em sete semanas. Pentecostes era uma festa que os judeus já celebravam por 1500 anos. E por este motivo, haviam pessoas de todas as partes do mundo em Jerusalém no dia de Pentecostes.

… cinquenta dias depois que ofereceram esse feixe, apresentem a Deus, o Senhor, outra oferta da colheita de cereais. Cada família deverá apresentar dois pães feitos com a melhor farinha e com fermento. Cada pão deverá pesar dois quilos. Esses pães são uma oferta a Deus, o Senhor, tirada da melhor parte da colheita de trigo. (Levítico 23:16-17)

A situação era perfeita, o Espirito Santo encheu os discípulos de poder e diante deles havia um imenso número de expectadores sem entender nada do que estava acontecendo.

O SERMÃO DE PEDRO

Após isso, Pedro começa a pregar. E aqui ele faz uma pregação expositiva. Ele apresenta a Jesus Cristo como o Messias prometido. Ele estrutura sua mensagem primeiramente apontando para a palavra que eles tinham em mãos (neste caso do profeta Joel), aponta para Jesus como o Messias prometido, para os homens ali presentes como pecadores que mataram a Jesus e revela a ressurreição e seu Senhorio.

Portanto, que todo Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo. (Atos 2.22- 36).

Quando os ouvintes recebem essa mensagem, eles ficam aflitos. Como se uma venda caísse de seus olhos e eles pudessem enxergar quão miseráveis eles eram. Quão pecadores e merecedores da ira de Deus.

Então eles perguntam a Pedro e outros apóstolos, “Irmãos, que faremos?” (Atos 2:37) E Pedro conclui seu sermão com uma resposta de arrependimento para perdão dos pecados o qual eles poderiam alcançar em Cristo.

E algo maravilhoso aconteceu! Três mil pessoas se converteram a Cristo. Três mil pessoas adentraram no reino de Deus.

Chegamos aqui em nosso questionamento inicial. E agora? A Igreja Primitiva acaba de ser instituída, e há diante dela três mil neófitos.

A RESPOSTA DA IGREJA PRIMITIVA

O versículo 42 é a resposta que precisamos para todas as perguntas que fizemos acima.

Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações.
Atos 2: 42

Vamos tratar os quatro pontos levantados neste versículo que nomearei de quatro requisitos básicos para a vida de Igreja.

QUATRO REQUISITOS BÁSICOS PARA A VIDA DE IGREJA

1 – ENSINO DOS APÓSTOLOS

Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, no qual todo o edifício é ajustado e cresce para tornar-se um santuário santo no Senhor.
Nele vocês também estão sendo juntamente edificados, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito.
Efésios 2:19-22

Não é atoa que este é o primeiro dos quatro requisitos básicos para a vida de Igreja. Este ponto trata das doutrinas e do conhecimento da pessoa de Cristo.

O ensino dos apóstolos é fiel ao que Cristo ensinou e praticou.

Com referência em Efésios 2, podemos dizer que a fé cristã é um edifício em que Cristo é a pedra principal, a pedra angular. E o ensino dos apóstolos são os fundamentos erguidos sobre essa pedra.

Hoje, devemos preservar esse ensino. Usá-lo como guia para a vida cristã. Assim como na Igreja Primitiva, onde todos perseveravam na doutrina, hoje devemos nos dedicar à palavra. Não uns ou outros. Mas todos devem se dedicar. Não precisamos fazer seminário, ou nos formarmos em teologia, mas Deus quer que sejamos capazes de defender as razões da nossa esperança nele (1 Pedro 3:15).

Somente uma igreja que permanece no ensino dos apóstolos poderá suportar as perseguições, combater as heresias e propagar a mensagem da salvação.

2 – COMUNHÃO

Nessa construção (edifício) a comunhão é um dos pilares da vida de Igreja.

É na comunhão que temos a oportunidade de praticar os ensinos que Deus nos deixou em sua palavra. É onde somos estimulados ao amor e as boas obras. Onde somos admoestados, instruídos e suportados.

Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função.
Efésios 4:16

É aqui que revelamos a unidade do corpo, exaltando assim a cabeça (Jesus), que é a imagem e a glória da Igreja.

Na comunhão podemos colocar em prática os ensinos de Jesus; servir, cultuar, testemunhar, ensinar, ajudar, perdoar, confessar. A comunhão nos permitirá praticar todos esses ensinos, e assim caminharemos para a maturidade cristã.

3 – PARTIR DO PÃO

O partir do pão representa um sentimento familiar, como um pai com seu filho, que ainda não produz que ainda não é capaz de providenciar seu próprio alimento, e com um sentimento de puro amor ele parte seu pão, ele coloca pão na mesa do filho.

Essa ação com a família revela uma ‘Lei Moral’, a capacidade do homem (mesmo sendo mal) de defender sua família, providenciando cuidados mesmo quando isso implica em se colocar em situação de risco e/ou diminuir seus pertences.

Atos 2:46 … Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições.

Testifica que apenas com esse sentimento familiar podemos cumprir o requisito de partir o pão.

Se entendermos que o ‘Partir do Pão’ é um dos quatro requisitos básicos para a vida de Igreja, certamente entendemos ou iremos entender que o sangue de Jesus criou um elo, uma família de muitos filhos semelhantes ao próprio Cristo, e assim como em nossa vida natural há uma lei moral que nos rege a defender nossa família, hoje há uma lei em nosso coração, chamada lei do amor, que nos permite a não só enxergar cada um da Igreja como irmão, mas a comportarmos em defesa do próximo, mesmo que isso nos cause dano.

4 – ORAÇÕES

Orem continuamente. (1 Tessalonicenses 5:17)

Aqui, Paulo recomenda que nunca deixemos de orar. A oração é o meio pelo qual mantemos um relacionamento saudável com o Senhor, através dela nós entendemos a sua vontade, somos tratados e fortalecidos e nos preparamos para o que há de vir.

Se a oração é uma das bases primordiais e indispensáveis na vida de um verdadeiro cristão, podemos então concluir que ela também é uma das mais fortes armas de impacto e transformação da qual a Igreja dispõe.

Como disse Charles Spurgeon: “Se uma igreja não ora, ela está morta.”

Quando o povo de Deus ora junto sobre temas específicos, a Igreja se fortalece.

Pedro, então, ficou detido na prisão, mas a IGREJA ORAVA intensamente a Deus por ele. (Atos 12:5)

“Eu posso fazer mais que orar, depois de ter orado, mas eu não posso fazer mais que orar, até que tenha orado!”

John Bunyan

Sem esses quatros pontos não conseguiremos chegar à compreensão do funcionamento da Igreja. Eles não são a totalidade do que a Igreja é, mas são fundamentais. Pois não podemos viver um ponto e outro não.

CONSIDERAÇÕES DO AUTOR                                    

No primeiro texto da série distinguimos a Igreja do Reino, da estrutura e da cultura, evitando assim erros básicos de atribuições a Igreja de algo que ela não é.

Agora pontuamos questões fundamentais, no qual sem estes pontos a Igreja não pode existir.

A partir daqui, com esses pontos dominados, poderemos entrar no comportamento da igreja moderna e combater erros atuais que tem prejudicado na compreensão do que é a Igreja.

Deixe um comentário e tenha a liberdade de compartilhar algo que queira acrescentar em relação ao assunto ou qualquer dúvida que você tenha.

RAFAEL LIMA

Apaixonado por Jesus. Sou missionário e empreendedor. Pai de uma menina maravilhosa e casado com a melhor esposa do mundo. Amo imergir em culturas diferentes e amo ensinar sobre Jesus e sua palavra.

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